Maracatu da Favela
A mais tradicional escola de samba de Macapá
Sediada no bairro Santa Rita, a “Favela”, o Maracatu carrega mais de 65 anos
de história, cultura e resistência no carnaval amapaense
Tradição, Resistência e Patrimônio Cultural do Amapá
Conheça a trajetória da escola de samba mais antiga e tradicional de Macapá
Fundada na cidade de Macapá, no tradicional Bairro Santa Rita — conhecido carinhosamente como Favela —, a Grêmio Recreativo Escola de Samba Maracatu da Favela é uma das mais importantes agremiações carnavalescas da Amazônia e um dos maiores símbolos da cultura popular amapaense.
Embora seu registro oficial date de 15 de dezembro de 1957, suas origens remontam ao final da década de 1940, quando trabalhadores da antiga ICOMI e do Território Federal do Amapá, liderados pelo lendário senhor Vagalume, criaram o bloco carnavalesco Bandoleiros da Orgia. A partir dessa experiência comunitária nasceu a escola de samba Tricolores da Folia, que posteriormente daria origem à atual Maracatu da Favela, consolidando um legado construído pela força coletiva de moradores, sambistas e famílias tradicionais do bairro.
A transformação para Maracatu da Favela ocorreu após uma histórica reunião realizada na residência de Dona Gertrudes, envolvendo nomes como Vagalume, Cadico, Mané de Souza, Biló e outros baluartes da comunidade. Dessa trajetória permanecem preservadas as raízes da agremiação e sua identidade comunitária, que atravessa gerações.
Ao longo de sua história, a escola consolidou-se como uma das grandes protagonistas do carnaval amapaense. Sua bandeira, atualmente verde e rosa, carrega a herança de suas formações anteriores e simboliza décadas de luta, pertencimento e paixão pelo samba.
Seu brasão reúne elementos que sintetizam sua essência: o surdo, representando a força do samba; a coroa, símbolo da majestade carnavalesca; os ramos de louro, que celebram suas conquistas; e a Pomba da Santíssima Trindade, expressão da profunda religiosidade presente na comunidade da Favela.
Presente em todas as grandes fases do carnaval do Amapá, a Maracatu da Favela participou das tradicionais batalhas de confete e de todos os desfiles oficiais do estado, conquistando nove títulos de campeã do carnaval amapaense nos anos de 1976, 1978, 1983, 1985, 1999, 2003, 2007, 2012 e 2013.
Entre seus momentos mais marcantes está o histórico bicampeonato conquistado com os enredos “Espelho, Espelho Meu…” (2012) e “Tic-Tac – É Tempo de Folia” (2013), reafirmando sua capacidade criativa e sua relevância cultural no cenário carnavalesco da região Norte.
Mais do que uma escola de samba, a Maracatu da Favela tornou-se uma verdadeira instituição comunitária. Ao longo das décadas, formou músicos, ritmistas, intérpretes, passistas, carnavalescos, artesãos e lideranças culturais, mantendo viva a memória de personagens fundamentais como Vagalume (José Vagalume dos Santos), Cadico, Biló, Dona Gertrudes (Gertrudes Silva Gaia), Dona Generosa, Seu Pelé (Manoel Barbosa), Dona Fifita (Josefa Gonçalves), Neusona e Escurinho, entre tantos outros que ajudaram a construir sua história.
A escola também é reconhecida pelo pioneirismo. Foi a primeira agremiação carnavalesca do Amapá a criar uma escola preparatória para casais de mestre-sala e porta-bandeira e permanece sendo a única a manter uma escola de samba mirim em atividade, a Maracatu do Amanhã, responsável por transmitir às novas gerações os valores, saberes e tradições do samba.
Em 2026, a agremiação alcançou mais um marco histórico ao tornar-se a primeira escola de samba do estado do Amapá contemplada pela Lei Rouanet e patrocinada por uma grande empresa nacional, a Vale, por meio do projeto Missão Verde e Rosa – Maracatu da Favela, iniciativa voltada à preservação da memória, valorização do patrimônio cultural e fortalecimento de suas ações educativas e comunitárias.
Atualmente presidida por Ruth Cléa Ferreira, filha dos históricos baluartes Neusona e Escurinho, a escola inicia um novo ciclo pautado pela valorização da tradição, pelo respeito à sua velha guarda e pela construção de um futuro inovador para a cultura popular amapaense.
Mais do que uma agremiação carnavalesca, a Maracatu da Favela representa a história de um povo. Uma comunidade que transformou o samba em instrumento de identidade, pertencimento e resistência.
A Verde e Rosa do Meio do Mundo segue firme, honrando seu passado, celebrando seu presente e construindo seu futuro através da cultura, da memória e da força de seu povo.
“O Maracatu da Favela surgiu das tradicionais manifestações carnavalescas
do bairro Santa Rita, herdando o legado dos pioneiros do samba amapaense.”
Na virada dos anos 1940/50, José “Vagalume” dos Santos, vindo do carnaval
carioca, organizou o bloco de sujos Bandoleiros da Orgia
(criado em 1954) para as comunidades do Laguinho e Favela. Esse grupo,
formado por trabalhadores da empresa ICOMI e idealizado também por
Mestre Biló e outros, evoluiu para o Tricolores da Folia.
Em 1957, numa reunião na casa de Dona Gertrudes Saturnino Loureiro,
antigos integrantes como Cadico, Biló e Eitor Picanço definiram a nova
escola de samba Maracatu da Favela.
A escola herdou do bloco original as cores azul, branco e preto; somente
na presidência de Azedo Picanço (década de 1970) foram acrescidas as
cores oficiais verde e rosa.
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Fundação
Títulos
Anos
“O brasão oficial une símbolos como o surdo, a coroa, folhas de louro
e a pomba da Santíssima Trindade, representando samba, realeza cultural,
vitórias e religiosidade da comunidade favela.”
Fundação
Os pioneiros que construíram o legado do Maracatu da Favela
Data Oficial
15 de Dezembro de 1957
Registro oficial da agremiação, consolidando anos de trabalho dos pioneiros do samba.
Antecedentes
Bandoleiros da Orgia (1954)
Bloco fundador que deu origem ao Tricolores da Folia e posteriormente ao Maracatu.
Local de Fundação
Casa de Dona Gertrudes
Reunião histórica no bairro Santa Rita onde se consolidou a formação da escola.
Fundadores Principais
José “Vagalume” dos Santos
Cadico (Cadete Lino)
Mestre Biló
Eitor Picanço
Dona Gertrudes Saturnino
Azedo Picanço
Linha do Tempo
Principais marcos na história do Maracatu da Favela
dando início às manifestações carnavalescas organizadas da Favela.
Maracatu da Favela, após reunião na casa de Dona Gertrudes Saturnino.
cores verde e rosa, que se tornariam sua identidade visual.
conquistas que marcaria o carnaval amapaense.
e Jorge Vieira, que se tornaram símbolos da escola.
e “…Tic-tac, tic-tac… tempo de folia”, os últimos títulos até então.
obtendo o 5º lugar no Grupo Especial.
vice-campeonato do Grupo Especial.
símbolos de jogos de azar à realidade comunitária.
Presidentes
Lideranças que conduziram o Maracatu da Favela nos últimos anos
Paulo Flexa
2015 – 2017
Nivaldo Conceição “Pitico”
2017 – 2019
Luiz Mota “Geléia”
2019 – 2024
Sandro Ferreira
2024 – 2026 (Atual)
Também conhecido como Sandro Macapá, coordenador carnavalesco
Carnavais Históricos
Enredos marcantes que ficaram na memória do carnaval amapaense
Carnaval 2012 – “Espelho, espelho meu”
Campeão do Grupo Especial, iniciando o bicampeonato da escola.
Um desfile que refletiu a identidade e a beleza da comunidade da Favela.
Carnaval 2013 – “…Tic-tac, tic-tac… tempo de folia”
Bicampeão no Grupo Especial. O último título de campeã até então,
marcando o tempo glorioso da agremiação.
Carnaval 2023 – “Resistência é Favelar”
Enredo que enfatizou a ancestralidade africana da comunidade,
obtendo o 5º lugar no Grupo Especial.
Carnaval 2024 – “Alavantu”
Sobre as festas juninas populares, rendeu o vice-campeonato
do Grupo Especial, celebrando as tradições nordestinas.
Títulos e Colocações
Nove vezes campeã do Grupo Especial e múltiplos vice-campeonatos
Personalidades
Figuras que marcaram a história do Maracatu da Favela
José “Vagalume” dos Santos
Pioneiro do samba no Amapá, idealizador do bloco Bandoleiros da Orgia
e da transição para o Maracatu. Principal mentor das primeiras
agremiações carnavalescas locais.
Dona Gertrudes Saturnino
Matriarca do bairro Favela que, em parceria com Vagalume, estruturou
o bloco inicial e participou ativamente da fundação da escola em 1957.
“Cadico” (Cadete Lino)
Carnavalesco veterano e compositor, marcante no desenvolvimento dos
primeiros desfiles. Participou ativamente da reunião fundadora de 1957.
Mestre Biló
Carnavalesco veterano e compositor, um dos idealizadores do bloco
Bandoleiros da Orgia. Participou da reunião de fundação na casa de
Dona Gertrudes.
Rita Gonçalves e Jorge Vieira
Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira que desfilaram juntos de 1988
a 2007, tornando-se símbolos da escola e da elegância no samba.
Nauva Alencar
Atual e mais antiga rainha da bateria “Surfista”, representando a
tradição e a beleza da agremiação nos desfiles de carnaval.
Sandro Macapá – Carnavalesco atual e presidente (2024-2026)
Galeria Histórica
Momentos marcantes dos desfiles do Maracatu da Favela
Alegoria de Abertura – Carnaval 2026
Grande roleta de cassino em homenagem ao enredo de jogos de azar
“Xeque-Mate! Quem dá as cartas é a Favela!”.
Desfile na Passarela – 2026
Integrantes desfilando na passarela do samba Ivaldo Veras.
Fantasias e coreografias remetem ao universo lúdico dos jogos.
Bateria Mirim “Surfista” – 2026
Jovens ritmistas conduzindo a bateria mirim. A escola prepara
novas gerações para o samba-enredo anualmente.
Rainha de Bateria – 2026
Rainha encarna a peça soberana em tabuleiro de xadrez com o rei
aos seus pés, no enredo sobre o jogo da vida.
Venha Fazer Parte da Favela!
O Maracatu da Favela está sempre de portas abertas para novos sambistas,
artistas e apaixonados pela cultura. Junte-se a nós e faça parte desta
história de mais de 65 anos de tradição no carnaval amapaense.